- Ex-colaborador
O Grupo Atlas Copco o conhece como Nelson W., engenheiro de produção formado na Poli, curioso por tecnologia e com um pé no mundo.
Voltou de Israel com a cabeça arejada por quatro anos de prática e, em 1981, atravessou as portas do Grupo em Santo Amaro para coordenar Sistemas na área Comercial e de Serviços.
Ali, no rumor das impressoras de formulário contínuo, do telex e da caixa postal, ele viu futuro onde muita gente ainda enxergava pilhas de papel.
O primeiro mergulho foi o TAC — Terminais de Atendimento ao Cliente.
Um projeto robusto e elegante: aposentar listagens, perfurar menos cartões, colocar cotações e pedidos online.
O telefone tocava; em vez de vasculhar pastas, as equipes olhavam a tela verde e respondiam em tempo real.
Houve requalificação, mudança de rotinas, um novo vocabulário.
E o cliente sentiu.
“Digitalizar é, sobretudo, reorganizar o humano.”
Na sequência veio o KICK — “cliente no centro”.
Nelson viajou à Suécia, experimentou os barracões provisórios enquanto o prédio principal era reformado, foi recebido na guest villa, conversou com equipes, tropicalizou processos, integrou despacho, estoque, financeiro e oficina num mesmo corpo de dados.
Descobriu uma cultura que trabalha duro e ri com facilidade.
Voltou com o projeto debaixo do braço e fez a engrenagem rodar aqui.
Em 1984, o rio da carreira fez uma curva grande: Atlas Copco North America.
Um ambiente que antes resistira ao KICK abriu passagem graças a diplomacia e escuta. Nelson assumiu após o terreno ser preparado, navegou a política do cotidiano e a técnica do detalhe. Boas entregas, boas amizades — e a certeza de que implantação é combinação de engenharia e antropologia.
“Projeto só termina quando pertence a quem usa.”
De volta ao Brasil, no final dos anos 1980, veio a grande virada organizacional: a divisionalização.
Separar o que era uma em três áreas de negócios: Compressores (ar comprimido), Mineração & Perfuração e Industrial — com presidentes, finanças, marketing e sistemas próprios.
Nelson conduziu a separação de data center, migração de dados, indicação de responsáveis de TI por divisão, endereços distintos, rotas novas para pessoas acostumadas ao mesmo corredor.
Ele sabia que mexer no prédio muda a alma do mapa: o humano é territorial.
Fez com cuidado.
Nesse caminho, viu a indústria petrolífera como cliente-farol, acompanhou viradas fiscais (IPI/ICMS) que exigiram noites de regra e código, e guardou na memória um telex de três ou quatro metros com prazos e exigências: a burocracia dançando com a urgência.
Anos depois, olhando de fora e ainda por dentro, Nelson reconhece nosso foco em tecnologia, meio ambiente, planejamento e aquisições.
Reconhece também a coragem de mudar a forma para preservar o DNA.
Acredita que os desafios geopolíticos, cibersegurança, velocidade tecnológica — pedem a mesma postura de 1981: aprender rápido, integrar melhor, cuidar de gente.
Hoje, enquanto ele se conecta a uma empresa sueca de planejamento e gestão de iniciativas, seguimos cruzando memórias: a tela verde virou nuvem, o papel contínuo virou dado vivo, e a cultura segue sendo a nossa melhor interface.